OMÃ: Por quê?

Como e por que fomos parar no Omã?

Minha intenção não é ser um guia de viagem, mas sim contar nossas experiências e dar algumas dicas, porque eu quero de verdade que vocês considerem a ideia de conhecer o Omã….

Decidido que viríamos pra Dubai, eu obviamente comecei a pesquisar quais eram os lugares que eu poderia conhecer aqui por perto. E aí o Omã apareceu. Mas Omã? O que tem pra fazer lá?

Pra mim, Omã era apenas o único país com a letra O na hora de brincar de Stop.  Eu arriscaria dizer que fica no Oriente Médio. Mas não sabia a localização exata do país e muito menos a sua História.

Eu nunca tinha ouvido alguém falar desse país ou dizer que gostaria de ir pra lá. Na minha lista de prioridades, ele certamente seria um dos últimos países do mundo que eu achava que gostaria de conhecer.

Mas pela proximidade com Dubai e por ter a passagem mais em conta saindo daqui, virou o único país que tínhamos certeza que visitaríamos. As outras opções mais próximas (com vôos de até 3h de distância) eram países como os Emirados Árabes: Qatar, Baharein, Kuwait. Países árabes com investimentos pesados de dinheiro do petróleo, todos metidos a modernos e com arranha-céus.

Podia ser Itália, mas é Omã mesmo.

Assim que comecei a pesquisar sobre o Omã meu queixo caiu. Eram imagens que eu nunca esperaria ver.  Ao invés dos prédios altos, uma arquitetura bem característica: todos os prédios baixos e branquinhos. Montanhas, rios, mar, deserto. Camelos, cabras, golfinhos e tartarugas. Como poderia tudo aquilo no mesmo pequeno país e eu nunca tinha ouvido falar?

Comecei a programar nossa viagem com umas duas semanas de antecedência. E foi sem dúvida a viagem mais difícil de organizar porque era muito difícil achar referências de quem já tinha ido. Eu até leio alguns blogs de viagem gringos quando estou organizando minhas viagens. Mas quando o país é muito diferente do nosso é sempre bom ter dicas de quem tem a mesma cultura – e por isso teria experiências  e questões parecidas com as nossas.

Aos poucos fui reunindo as informações e traçando nosso roteiro, mas não foi fácil e tivemos alguns perrengues (que conto depois). Mas todo perrengue sempre faz parte e é mais história pra contar na volta.

O Omã é um país árabe: é garantido que você vá ver Mesquitas e Souks (mercados). O que já é bem interessante.  Mas eu não sabia que o Omã era um Sultanato, ou seja, uma monarquia absoluta, onde o Sultão Qaboos é o líder desde 1970, quando deu o golpe no pai. Sim, isso mesmo. Com ajuda dos britânicos (ele foi educado lá na Inglaterra) depôs o pai – que mantinha o país no atraso. Proibiu o pai de entrar no país e assumiu o poder.

Ele realizou tantas coisas boas que o Omã foi classificado como a nação mais aprimorada no mundo em termos de desenvolvimento. E isso faz com que ele seja adorado pelo povo: muitas fotos por todos os lados, até nas camisetas, nos carros, em fachadas. Ele abriu o país para o turismo (graças a Deus!!) e fez muitos investimentos locais de todos os tipos. Antes dele só existiam três escolas, agora existem mais de mil. E por aí vai…

Ou seja: muitos investimentos no Omã nos últimos 40 anos e ainda que com dificuldades fizemos uma das viagens mais incríveis da nossa lista.

A programação seria em três dias (mas poderia facilmente ter ficado uma semana lá) e dividimos da seguinte forma: conhecer a capital Mascate (Souk, Corniche, Mesquita, Opera e Palácio do Sultão), fazer um passeio que incluía ver golfinhos no mar aberto e snorkeling com tartatugas e uma aventura pela natureza: um cenote e uma trilha nos wadis. Cenotes são populares no México e são pequenos poços de água no meio de uma cavidade rochosa. E wadis é uma palavra em árabe para descrever um rio temporário que corre no deserto. Ambos são a visualização perfeita de oásis no meio do Oriente Médio onde tudo é areia e pedra.

 

Apesar da cidade ter se desenvolvido bastante, não existe rede de transporte público (existe mas é muito precária). Então tínhamos duas opções: alugar um carro ou contratar taxi/motorista/guia. A princípio, tínhamos escolhido a segunda opção pelo receio de dirigir num país que mal conseguíamos informações sobre as coias. Porém, depois de analisar os preços e a situação, resolvemos arriscar dirigir, pois a moeda omani é uma das mais valorizadas do mundo e tudo acaba sendo muito caro. E foi uma ótima escolha.

As estradas são muito boas, a gasolina é barata e as placas sempre estão escritas em inglês. O mais difícil era usar o Google Maps, que nunca tinha “pegue o retorno na saída X” e sim “vire a direita, vire a esquerda”. Então passamos a viagem toda errando caminhos, mas sempre tinha outra saída ou retorno logo depois. Assim, fomos pegando a manha e nos acostumando a contornar os erros.

O visto para brasileiros pode ser tirado online no site deles e custa 5 OMR  (1 OMR equivale atualmente a mais ou menos 10 reais). É só fazer um cadastro, preencher informações simples, anexar o passaporte, uma foto e pagar com cartão de crédito. O visto chegou em menos de 10 minutos no email. Mas rolou um perrenguinho aqui que conto depois. Como eu também tenho passaporte espanhol, deixei para tirar o visto na entrada do país pois havia lido que por ter visto de Dubai, eu não precisaria do visto no Omã. Apesar da informação estar no site dos vistos e da polícia do Omã (e eu levei impresso), não procedia essa informação – ou os funcionários não sabiam como proceder mesmo. Aí tive que comprar o visto na e não precisei preencher nada, apenas pagar 6 OMR (sim, 1 OMR mais caro).  O famoso “pagou, passou”.

O aeroporto de Mascate é um desbunde de lindo. Não barrou o de Marrakesh (meu preferido), mas é dos aeroportos mais bonitos e limpos que já fui. Fica perto da cidade (não dirigimos nem 20 minutos) e, talvez pela falta de movimento do país, é super calmo, organizado, sem filas e esperas.

Eu e Tom no primeiro dia no Omã

É Omã, você foi uma surpresa. Voltei da viagem querendo ser uma embaixadora do turismo omani. Obrigada!

Quem ainda não colocou Omã na lista de próximos destinos, devia repensar!

 

 

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Olá do Oriente Médio!

Marhaba!

Mais de um ano depois, esse blog ressurgiu das cinzas. Ele foi invadido por um hacker que ficava postando compulsivamente coisas aqui e eu não conseguia resolver. Depois de acontecer muitas coisas por aqui (que não é mais bem aqui ou aí ou lá) – o problema foi resolvido (por um anjo/profissional, é claro! Obrigada Kid!)

De lá pra cá mudamos de casa em Londres, o @melevalondres começou a bombar, casamos e viajamos pra destinos que sempre sonhamos: Rússia e Grécia. E quando o ano estava todo planejado com lua de mel na Tailândia, visitas em Londres, show do Paul McCartney comprado – a vida nos chamou pra mais uma aventura. Viemos parar em Dubai, nos Emirados Árabes, para uma temporada de três meses.

Foi tudo uma correria: encaixotar a casa e a vida (o que vai junto, o que fica guardado), documentos e de repente o avião estava pousando no meio do deserto. Acho que foi ali que a ficha caiu: ver aquela areia dourada se transformando de longe em arranha-céus. O Burj Khalifa (maior prédio do mundo) realmente é imenso e a primeira vez que eu avistei foi da janelinha do avião. Hoje vejo da janela da minha sala.

Ontem fez exatamente um mês que desembarcamos nessa temporada árabe. Os primeiros dias não foram fáceis. Estávamos muito cansados, o fuso horário era bem diferente e o clima era desesperador – apesar de ouvir por aqui que o tempo já estava melhor. A vida aqui é basicamente indoor (ambientes fechados e não ao ar livre) por conta do calor. E esse foi o primeiro choque de adaptação. Aqui não se caminha na rua. E esse é o primeiro passo que eu dou pra conhecer uma cidade: caminhar.

A melhor descrição que tive até agora da cidade foi: parece que você está nos Jogos Vorazes. Prédios altos, milhares de carros e a cidade fantasma. É difícil ver gente fora dos prédios.

Demoramos muito a entender como a cidade funciona. E a verdade é que acho que até agora não entendemos tão bem assim. Mas não achamos tão fácil de explorar e de conhecer, o que nos deixou bem perdidos no começo.

A cidade é enorme, muito maior do que ia minha imaginação. As coisas são bem espalhadas, não tão óbvias e se você quer sair de casa sem saber pra onde ir ou o que fazer vai acabar no shopping. Não sabe o que comer? Shopping. Não sabe onde encontrar alguma coisa? Shopping. E faz sentindo, porque não adianta ir andar na rua para procurar um restaurante porque não tem ninguém nas ruas, não tem uma rua com restaurantes e lojas. E tem muitos restaurantes em prédios, hotéis. Então se você não sabe aonde ir, não vai chegar. Por exemplo já fomos a um restaurante que era dentro de um hotel, no 2º andar. Um restaurante simples, nada demais. Eu não sei vocês, mas eu jamais teria entrado em um hotel a procura do que comer.

 

Então imagina chegar nessa nova cidade vindo de Londres, onde fazíamos tudo a pé, já sabíamos como ir e vir e adorávamos explorar os bairros, andar pelas ruas e dar uma voltinha no parque depois do jantar?

 

Mas aos poucos fomos descobrindo lugares e sabores. Aprendemos um pouco da cultura local – ainda que menos de 10% da população seja daqui. Tivemos ótimas experiências gastronômicas e uma imersão no islamismo, aprendendo um pouco mais sobre essa religião que é tão pouco entendida e cheia de preconceitos pelo mundo. Durante muito tempo as palavras oriente médio e mulçumanos vinham agregadas da sombra do terrorismo. Mas quando você se permite ouvir e aprender mais, você vê que as coisas são bem diferentes e que no fundo todas as pessoas querem amar e ser amadas. E que as religiões dizem mais ou menos a mesma coisa, só usando nomes, crenças e rituais diferentes: amar o próximo, respeitar, cuidar, agradecer, olhar para dentro e se conectar.

E é isso que estamos fazendo por aqui: nos amando e cuidando, agradecendo pela experiência, respeitando as diferenças. Ainda temos dois meses pela frente e já temos muitas histórias pra contar.

Espero que vocês gostem de acompanhar e que eu possa reviver esse blog compartilhando a vida por aqui e por Londres e nossas histórias de viagens pelo mundo.

Comenta aqui com o que você quer saber sobre os Emirados Árabes Unidos ou se você quer que eu conte de alguma outra viagem que eu tenha feito. Vai ser bom saber que tem alguém lendo aí do outro lado da tela e do planeta terra. Inshallah!

Beijos do oriente,

Ju

 

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Dicionário árabe:

Inshallah quer dizer “Se Deus Quiser”

Marhaba quer dizer “Olá” ou “Bem-vindo” – mas a origem da palavra é linda: Mar = Mestre ou Deus/ Haba = Amor – então Marhaba = Deus é amor

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