Vegetariana Viajante

Sou vegetariana desde que nasci. Sim, minha família é vegetariana. Não, nunca comi carne. Nem peixe, nem frango. Não, presunto não é vegetariano. Não, não tenho vontade de experimentar. Não, não me falta nenhum nutriente ou vitamina. Sim, sou super saudável.

Pronto, agora podemos começar. Estas sempre foram as respostas que dei para as mesmas perguntas que tenho escutado ao longo dos meus quase 30 anos de vida. E se você disser que pareço mais jovem que isso, vai me ouvir dizer: é porque sou vegetariana!

Não sou uma vegetariana chata e muito menos super ativista. Respeito as escolhas de cada um, afinal cresci sendo a única diferente. Veja bem, eu nasci assim então pra mim sempre foi muito fácil e orgânico. Eu nunca tive que parar de comer algo, abdicar do meu paladar e cultura. Por isso eu não julgo ninguém: nem os que têm suas dificuldades para parar e muito menos os que nem pensam na ideia de virar vegetariano. (Apesar de acreditar que é uma evolução natural da humanidade).

Mas nunca foi fácil pra mim ser vegetariana, em uma família gaúcha, em um país onde a carne é o prato principal e o resto é acompanhamento. Quantas vezes já fiquei sem ter o que comer em jantares nas casas dos amigos e me virei com macarrão ao alho e óleo, pãozinho do couvert ou abri um sorriso e disse “tudo bem, não estou com fome”.

Batata em todos os formatos: sempre uma boa opção pros vegs

Ser vegetariana sempre foi um desafio. Jantar fora nunca foi tão óbvio. Cozinhar sempre foi uma aventura. E viajar? Ah viajar pode ser torturante se eu pensar nas culinárias tradicionais locais, mas cada vez mais tenho me surpreendido.

Hoje em dia ser vegetariano já não é mais tão incomum. Tenho encontrado muitos estabelecimentos veganos, vegetarianos e também “veg friendly”. Esse último são restaurantes “normais” que estão incluindo em seus cardápios opções vegetarianas. Eu tenho tido a imensa felicidade de me deparar com ótimas opções por aí e quero contar um pouco mais sobre isso tudo aqui no blog para vocês: como é ser vegetariano viajando, como é viver vegetariano em Londres, quais são os restaurantes e lugares que encontro por aí.

Vegburguer em Oxford

Afinal, uma boa opção vegetariana não é só para os que não comem carne, né? Um carnívoro pode muito bem optar e preferir, porque não?

Vem que eu te levo comigo pelos cantos vegetarianos do mundo!

Na Palestina servindo uns docinhos típicos

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2 anos de Londres

Há dois anos cheguei em Londres de vez. Passou rápido? Devagar? Acho que passou exatamente na velocidade que tinha que ser: a minha.

Os primeiros meses foram muito difíceis sim e os últimos foram intensos e corridos.  Morar fora do Brasil não é glamouroso como muitos pensam e envolve sim uma longa fase de adaptação e aprendizagem. É um recomeço: começar tudo do zero. Mas já contei bastante sobre tudo isso lá no #paposobreautoestima do Futilidades.

Se a exatamente um ano atrás me perguntassem “E aí? Tá adaptada?” ou “E aí? Você ama morar em Londres?” – a resposta seria confusa. Eu ainda não tinha uma resposta firme. Era muita saudade, muito frio, baixa auto-estima, indefinição da vida profissional – além de todos os desafios práticos do dia-a-dia.

Hoje eu respondo com mais segurança: é uma montanha-russa. E eu já mudei para a primeira fila e levanto os braços na hora da decida. Ainda tem seus altos e baixos, claro.  Mas adoro adrenalina, os desafios e o mais importante: estou feliz.

O processo de adaptação não se resume só ao clima ingrato da Inglaterra.  O meu maior processo aqui foi sem dúvidas relacionado aos outros.Preciso de gente, sou uma pessoa de pessoas, de relacionamentos. Não é à toa que vim parar aqui por causa de alguém. <3 

Mas deixar meu ciclo de amigos e família foi um grande desafio. Aliás, ainda é. Mas fui encontrando a melhor maneira de me manter próxima e presente na vida de cada um. É um esforço que precisa ser feito dos dois lados. Com alguns funciona melhor do que com outros. Mas descobri que a distância é apenas física e que posso sim estar presente desde os pequenos momentos do dia-a-dia até os momentos mais importantes.

Muitas vezes dói não estar para ver um bebê nascer ou ir em um casamento. Mas também dói não estar para aquele café no dia chuvoso ou para dar aquele mergulho na praia. Mas aí a criatividade vai longe e a gente arruma nossa maneira de almoçar juntos, imprimir foto em tamanho real e ir nos aniversários e contar as novidades por áudios longos. Sim, virei a louca dos áudios e eles jamais terão menos de 30 segundos.

Mas fazer um novo ciclo de amigos e família aqui também foi um desafio. E mais uma vez, ainda é. Tem gente que eu já conhecia do Brasil e que ganhou um novo significado por aqui. Tem gente que eu conheci aqui e que virou família. Sei que sou uma pessoa fácil de fazer novas amizades – sorte a minha. Mas passei a ser a louca das amizades. Aceito qualquer convite para tomar um café com alguém novo. To sempre agitando encontros, passeios e sempre que arrumo motivo: alguma coisa aqui em casa. De preferência que envolva comida brasileira vegetariana.

Mas o fato é que a vida por aqui é muito melhor porque consegui me cercar de pessoas queridas. Já me despedi de muitos mas sempre tem gente nova chegando. Londres é assim mesmo. Mas o fato é que essas pessoas todas que passaram (principalmente as que permanecem) nesses últimos dois anos, fizeram e fazem toda a diferença. Fica aqui o meu MUITO OBRIGADA!

O que mudou? Acho que 20 graus é calor. E que 2 graus não é tão ruim assim. Eu uso menos casacos do que quando cheguei. Uso mais tênis e nunca usei salto desde que mudei pra cá. Mudei a bolsa de ombro pela bolsa carteiro. Falo com mais sotaque britânico do que americano. Repito sem pensar: Excuse me, sorry, please, thank you, cheers.  Ando de bicicleta no meio dos ônibus (ainda com medo). Faço minha própria unha. Sou mais pontual. Faço reservas. Tomo água de côco de caixinha.  Não saio de casa sem checar a previsão do tempo. E aprendi que dia chuvoso não significa ficar em casa. Mas isso é papo pra outra hora. Aprendi muita coisa e sigo aprendendo.

E o que não mudou? Tudo que escrevi aqui, nos meus primeiros meses de Londres, continuam sendo verdade. A cidade é inesgotável. Um filme cheio de histórias, de pessoas, de cultura, de lugares para conhecer, de gostos para provar. Continuo encantada pelo som dos passos no metrô e meu lugar predileto ainda é Southbank.

Londres é movimento. E a velocidade que eu vivo ela é a minha. Às vezes acelero, às vezes freio e diminuo o ritmo. Mas nunca paro. Nem quero! E vem comigo, que ainda tenho muito pra desbravar!

Feliz 2 anos para nós, Londres!

Beijos,

Ju

 

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NeyRail: o trem do Neymar

Nos últimos dias só se falou do Neymar e toda a fortuna que ele vale.

Eu, Barça de carteirinha (sim, é meu time mesmo), achei uma grande besteira ele ter ido pro PSG. Mas sabe-se lá se eu não aceitaria também com toda a grana envolvida. O fato é que ele nem precisa mais de dinheiro algum. Tudo o que ele já tem já é o suficiente pra viver essa e outras vidas.

E no meio dessa semana onde ouvi o nome do Neymar mais vezes que o normal, eu tinha decidido fazer uma daytrip (o famoso bate-e-volta). Resolvi ir até uma cidade charmosa da costa inglesa. Comprei passagens dois dias antes com desconto. Acordei cedo, fui até a estação que estava particularmente lotada. Peguei um trem e quando estava quase chegando em Margate (meu destino final) me veio um sentimento curioso.  Queria que no Brasil tivesse trem que nem tem aqui na Europa.

Estação de King’s Cross St Pancras

Aqui a gente pega trem pra andar pela cidade mas também para sair dela. Vale ir conhecer um castelo fora do centro, uma cidade histórica por perto ou até mesmo ir até o país vizinho passar uns dias. E tudo isso de forma confortável e rápida. Viajar de trem é muito bom!

Fiquei pensando como seria incrível se os paulistas pudessem ir e voltar da praia sem trânsito.  E pros cariocas morar em Petrópolis e trabalhar no Rio? Isso só pensando no eixo Rio-SP. Imagina quanto lugar no Brasil poderíamos conhecer? Cada praia, cada cidade escondida. Visitar amigos e parentes. Atravessar todo o país de trem. Mais uma opção além das rodoviárias e de pegar avião. Um sonho!

Aí pensei no Neymar. E decidi que se eu tivesse todo o dinheiro dele eu faria trens pelo Brasil todo.a

Eu não faço ideia de quanto dinheiro o Neymar tenha. Muito menos quanto custaria esse investimento. Só sei que é muito dinheiro em ambos os casos. Mas deve dar pra fazer bastante coisa.

Imagina só, ter todo esse dinheiro e usar pra fazer algo para encurtar distâncias e possibilitar sonhos? Quantos brasileiros nunca viram o mar? E ir e voltar das cidades vizinhas sem trânsito? Almoçar com a avó que mora no interior? Fazer uma reunião no estado vizinho e voltar no mesmo dia sem ter que pegar um avião?

Acho que seria um baita num investimento na qualidade de vida do brasileiro. Que está merecendo um banho de felicidade no meio desse caos.

E você faria o que com todo o dinheiro do Neymar?

Beijos,

Ju

 

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