2 anos de Londres

Há dois anos cheguei em Londres de vez. Passou rápido? Devagar? Acho que passou exatamente na velocidade que tinha que ser: a minha.

Os primeiros meses foram muito difíceis sim e os últimos foram intensos e corridos.  Morar fora do Brasil não é glamouroso como muitos pensam e envolve sim uma longa fase de adaptação e aprendizagem. É um recomeço: começar tudo do zero. Mas já contei bastante sobre tudo isso lá no #paposobreautoestima do Futilidades.

Se a exatamente um ano atrás me perguntassem “E aí? Tá adaptada?” ou “E aí? Você ama morar em Londres?” – a resposta seria confusa. Eu ainda não tinha uma resposta firme. Era muita saudade, muito frio, baixa auto-estima, indefinição da vida profissional – além de todos os desafios práticos do dia-a-dia.

Hoje eu respondo com mais segurança: é uma montanha-russa. E eu já mudei para a primeira fila e levanto os braços na hora da decida. Ainda tem seus altos e baixos, claro.  Mas adoro adrenalina, os desafios e o mais importante: estou feliz.

O processo de adaptação não se resume só ao clima ingrato da Inglaterra.  O meu maior processo aqui foi sem dúvidas relacionado aos outros.Preciso de gente, sou uma pessoa de pessoas, de relacionamentos. Não é à toa que vim parar aqui por causa de alguém. <3 

Mas deixar meu ciclo de amigos e família foi um grande desafio. Aliás, ainda é. Mas fui encontrando a melhor maneira de me manter próxima e presente na vida de cada um. É um esforço que precisa ser feito dos dois lados. Com alguns funciona melhor do que com outros. Mas descobri que a distância é apenas física e que posso sim estar presente desde os pequenos momentos do dia-a-dia até os momentos mais importantes.

Muitas vezes dói não estar para ver um bebê nascer ou ir em um casamento. Mas também dói não estar para aquele café no dia chuvoso ou para dar aquele mergulho na praia. Mas aí a criatividade vai longe e a gente arruma nossa maneira de almoçar juntos, imprimir foto em tamanho real e ir nos aniversários e contar as novidades por áudios longos. Sim, virei a louca dos áudios e eles jamais terão menos de 30 segundos.

Mas fazer um novo ciclo de amigos e família aqui também foi um desafio. E mais uma vez, ainda é. Tem gente que eu já conhecia do Brasil e que ganhou um novo significado por aqui. Tem gente que eu conheci aqui e que virou família. Sei que sou uma pessoa fácil de fazer novas amizades – sorte a minha. Mas passei a ser a louca das amizades. Aceito qualquer convite para tomar um café com alguém novo. To sempre agitando encontros, passeios e sempre que arrumo motivo: alguma coisa aqui em casa. De preferência que envolva comida brasileira vegetariana.

Mas o fato é que a vida por aqui é muito melhor porque consegui me cercar de pessoas queridas. Já me despedi de muitos mas sempre tem gente nova chegando. Londres é assim mesmo. Mas o fato é que essas pessoas todas que passaram (principalmente as que permanecem) nesses últimos dois anos, fizem e fazem toda a diferença. Fica aqui o meu MUITO OBRIGADA!

O que mudou? Acho que 20 graus é calor. E que 2 graus não é tão ruim assim. Eu uso menos casacos do que quando cheguei. Uso mais tênis e nunca usei salto desde que mudei pra cá. Mudei a bolsa de ombro pela bolsa carteiro. Falo com mais sotaque britânico do que americano. Repito sem pensar: Excuse me, sorry, please, thank you, cheers.  Ando de bicicleta no meio dos ônibus (ainda com medo). Faço minha própria unha. Sou mais pontual. Faço reservas. Tomo água de côco de caixinha.  Não saio de casa sem checar a previsão do tempo. E aprendi que dia chuvoso não significa ficar em casa. Mas isso é papo pra outra hora. Aprendi muita coisa e sigo aprendendo.

E o que não mudou? Tudo que escrevi aqui, nos meus primeiros meses de Londres, continuam sendo verdade. A cidade é inesgotável. Um filme cheio de histórias, de pessoas, de cultura, de lugares para conhecer, de gostos para provar. Continuo encantada pelo som dos passos no metrô e meu lugar predileto ainda é Southbank.

Londres é movimento. E a velocidade que eu vivo ela é a minha. Às vezes acelero, às vezes freio e diminuo o ritmo. Mas nunca paro. Nem quero! E vem comigo, que ainda tenho muito pra desbravar!

Feliz 2 anos para nós, Londres!

Beijos,

Ju

 

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Saatchi Gallery & a tragetória da Selfie

Desde que mudei para Londres a Saatchi Gallery conquistou meu coração. A Galeria de arte contemporânea existe desde 1985 mas só em 2008 que se instalou onde é hoje. Fica localizada na King’s Road, um dos pontos mais chiques de Londres.

Foto: Divulgação

O que eu mais gosto da Saatchi Gallery é que eu sempre saio de lá com a sensação de que eles sabem fazer exposições. A verdade é que hoje em dia com toda a facilidade da internet e globalização podemos ver fotos, pinturas e artes diversas em todos os lados e no mundo virtual. Nunca entendi o porque tanta gente tira foto de quadros em museus (principalmente a Monalisa, no Louvre). Eu confesso que já tirei também.

A verdade é que hoje em dia, se você quer lembrar de uma pintura ou mostrar pra alguém existem fotos muito melhores que as nossas no Google. Mas a gente sabe que a experiência de ver a arte ao vivo é bem diferente. Mas ainda assim, depois de uma tarde no Louvre em Paris ou de ir em três museus por dia em qualquer viagem, a gente também sabe que museu cansa.

E aí que me entusiasmo com exposições como as da Saatchi Gallery. Elas vão muito além de pendurar quadros na parede e ter salas cleans. Eles inovam com a cada exposição com interações, instalações e tecnologia. Trazem temáticas interessantes e transformam o que poderia ser banal em arte, em informação. Fazem pensar, refletir. Todas as vezes que estive lá continuei com tudo aquilo rodando na minha cabeça pelos próximos dias.

Fui surpreendida com a exposição da Coco Chanel – com aplicativo interativo e salas com cheiros. E a exposição do Rolling Stones – que quase não fui por conta do preço – e que só saí lá de dentro porque o museu fechou.

 

 

 

 

 

 

 

Ontem foi a vez de ir ver a exposição From Selfie to Self-Expression – Da Selfie para a Auto-Expressão. O questionamento vem logo no título: selfies também são arte? A mostra começa com pinturas auto-retratos de Van Gogh, Frida Khalo e Picasso. Todas as pinturas exibidas em telas de televisão na horizontal remetendo a um celular. Inclusive você pode dar like/curtir – olha a interatividade aí.

Selfie dos famosos, selfies-memes, selfies arriscadas e em situações de aventura, selfies no espelho, selfies turísticas (alô asiáticos). E muita interação e muito questionamento. Como por exemplo a Selfie do Macaco Naruto que abriu a discussão de quem era o detentor dos direitos autorais da foto.

O legal é ver as tantas expressões que uma representação pode gerar.

Se estiver em Londres ou vindo até o dia 6/9 – vai lá ver a exposição e me conta o que achou! Se vier pra Londres depois disso – dá uma olhada na programação da Saatchi Gallery. Tenho certeza que eles vão ter algo bem bacana acontecendo por lá.

Beijos,

Ju

 


Informações Gerais:

  • From Selfie to Self-Expression: até dia 6 de setembro de 2017.
  • Valor: GRÁTIS!!!!
  • Endereço: Duke of York’s HQ – King’s Road -SW3 4RY – clique aqui para ver no mapa
  • A Saatchi Gallery fica aberta de 9h até 18h (última entrada 17h30).
  • Me leva? Eu posso te levar para esse e outros passeios por Londres? Entre em contato comigo!

 

 

 

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NeyRail: o trem do Neymar

Nos últimos dias só se falou do Neymar e toda a fortuna que ele vale.

Eu, Barça de carteirinha (sim, é meu time mesmo), achei uma grande besteira ele ter ido pro PSG. Mas sabe-se lá se eu não aceitaria também com toda a grana envolvida. O fato é que ele nem precisa mais de dinheiro algum. Tudo o que ele já tem já é o suficiente pra viver essa e outras vidas.

E no meio dessa semana onde ouvi o nome do Neymar mais vezes que o normal, eu tinha decidido fazer uma daytrip (o famoso bate-e-volta). Resolvi ir até uma cidade charmosa da costa inglesa. Comprei passagens dois dias antes com desconto. Acordei cedo, fui até a estação que estava particularmente lotada. Peguei um trem e quando estava quase chegando em Margate (meu destino final) me veio um sentimento curioso.  Queria que no Brasil tivesse trem que nem tem aqui na Europa.

Estação de King’s Cross St Pancras

Aqui a gente pega trem pra andar pela cidade mas também para sair dela. Vale ir conhecer um castelo fora do centro, uma cidade histórica por perto ou até mesmo ir até o país vizinho passar uns dias. E tudo isso de forma confortável e rápida. Viajar de trem é muito bom!

Fiquei pensando como seria incrível se os paulistas pudessem ir e voltar da praia sem trânsito.  E pros cariocas morar em Petrópolis e trabalhar no Rio? Isso só pensando no eixo Rio-SP. Imagina quanto lugar no Brasil poderíamos conhecer? Cada praia, cada cidade escondida. Visitar amigos e parentes. Atravessar todo o país de trem. Mais uma opção além das rodoviárias e de pegar avião. Um sonho!

Aí pensei no Neymar. E decidi que se eu tivesse todo o dinheiro dele eu faria trens pelo Brasil todo.a

Eu não faço ideia de quanto dinheiro o Neymar tenha. Muito menos quanto custaria esse investimento. Só sei que é muito dinheiro em ambos os casos. Mas deve dar pra fazer bastante coisa.

Imagina só, ter todo esse dinheiro e usar pra fazer algo para encurtar distâncias e possibilitar sonhos? Quantos brasileiros nunca viram o mar? E ir e voltar das cidades vizinhas sem trânsito? Almoçar com a avó que mora no interior? Fazer uma reunião no estado vizinho e voltar no mesmo dia sem ter que pegar um avião?

Acho que seria um baita num investimento na qualidade de vida do brasileiro. Que está merecendo um banho de felicidade no meio desse caos.

E você faria o que com todo o dinheiro do Neymar?

Beijos,

Ju

 

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Frieze: Esculturas a céu aberto

Fui conferir a Frieze Sculpture, a exposição a céu aberto no Regent’s Park em sua primeira edição de verão.

A Frieze é uma curadoria de arte contemporânea que organiza uma das mais importantes feiras de arte, a Frieze em Londres, Nova Iorque e Berlim.

As esculturas estão expostas no English Gardens no Regent’s Park até o dia 8 de outubro e tem entrada gratuita. A seleção foi feita por Clare Lilley (curadora britânica) e inclui 25 obras internacionais dos principais artistas do século XX.

Adoro a ideia de exposições ao ar livre e gratuitas que permitem a interação com o público e com o ambiente. É lindo ver crianças interagindo e adultos sendo surpreendidos com enormes obras de arte em um passeio no parque. Mas confesso que fiquei nervosa ao ver picnics embaixo das esculturas, crianças (e adultos) escalando algumas peças e até um cara utilizando uma das peças para se apoiar e fazer seus exercícios no parque.

E aí vem a “grande questão da arte” – como diria minha cunhada museóloga e consultora de arte da minha vida e do blog Luiza Rache. Qual o limite para a interação? O que cada pessoa sente perante aquela arte?  Qual a interpretação que cada pessoa tem?

E pra você? Qual o limite da interação com a arte? Tem limite?

Ah,  e se for até lá, não deixa de dar um pulo em Primrose Hill. Se você não conhece, siga as placas e surpreenda-se. E depois me conta!

beijos,

Ju


Informações Gerais:

  • A edição de verão da Frieze Sculpture fica aberta até o dia 8 de outubro
  • Endereço: English Gardens no Regent’s Park – clique aqui para ver no mapa
  • O Regent’s Park fica aberto de 5h até 21h30.
  • Me leva? Eu posso te levar para esse e outros passeios por Londres? Entre em contato comigo!

 

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London Pride ²

Ano passado eu perdi a parada gay de Londres. Esse ano eu anotei a data e fiz questão de me organizar para ir.  Dia 8 de julho: Pride in London. Tema: Love happens here (o amor acontece aqui). A cidade estava toda colorida e bandeiras do arco-íris flamejavam por todos os lados.

Apesar de eu achar que não tenho mais idade (leia-se disposição) para eventos na rua com muita gente. Eu estava disposta a encarar a multidão pela causa.

Como diria Lulu Santos: “Consideramos justa toda forma de amor”. Igualdade, respeito e amor. Tudo isso em uma grande celebração em Londres: a cidade mais aberta às diferenças que eu já conheci. Apesar do tradicionalismo dos ingleses, aqui em Londres todo mundo é como quer ser. Como deveria ser em todo lugar.

Existe sim preconceitos, mas eles são menos visíveis. Mas as culturas se misturam e cada um pode ter a identidade que quiser ter. Isso me encanta. E eu também queria levantar essa bandeira!

Meu receio era o de todo carioca: evento público na rua tem tudo pra dar errado. Multidão, transportes lotados, fome, sede, como voltar pra casa. Erro meu.

Peguei o metrô e cruzei a cidade bem no horário marcado para o início da Parada. Meu espanto: estava menos cheio que em outros fins de semana. Andei tranquilamente sem ser julgada pelos meus cílios postiços, cabelo duro pela tentativa de pintar de rosa e glitter, muito glitter. E sem nenhum empurra-empurra ou sufoco.

Encontrei minha galera e fomos andando: a ideia era sair cedo de casa e ir para o começo da Parada ver eles sairem com mais tranquilidade. A realidade foi que saímos tarde e resolvemos atravessar a cidade até a Trafagal Square. Lá era o ponto final da parada e onde estava montado um palco com diversas atrações. Na minha cabeça aquilo era uma loucura, mas eu já estava completamente jogada nela.

Lá fomos nós, atravessando a cidade por ruas paralelas até chegarmos no Soho. Ali tivemos vontade de ficar – pra sempre. Parecia um carnaval carioca organizado, só que ao invés de marchinhas tocava Britney. A animação tomou conta mas ainda queríamos ir até a Trafagal, eu queria muito ver a parada em si.

Seguimos caminhando sem nenhum perrengue, nenhum sufoco. Chegamos ao nosso destino, abrimos nossas cadeiras e vibramos a cada grupo que passava.

Eu acho que faltou um pouco de animação ao povo que tava no desfile. Mas talvez eu esteja exigindo muito dos londrinos (e comparando com a animação do carnaval – afinal é minha referência natural de desfile).

 

Mas o fato é que eu parecia um pinto no lixo.

Aliás, falando em lixo. Assim que acabou o desfile todo mundo se dispersou e em menos de 10 minutos não restava mais quase nada além do lixo no chão. Vi uma garrafa quebrada no chão e corri para recolher os cacos. Não gosto da ideia de ser co-responsável por alguém se machucar. Muitos me olhavam sem entender o que eu estava fazendo. Passaram-se 5 minutos e o pessoal da limpeza urbana chegou. Em menos de 20 minutos do fim daquela festa as ruas estavam limpas. Sim, isso mesmo.

Resolvi ir embora e dali eu me despedi da minha galera. Andei sozinha e peguei um ônibus a poucos metros de onde terminava a parada. O pessoal já estava desmontando as grades, o lixo já estava sendo recolhido e eu não tive que esperar muito pelo meu ônibus. Ele veio vazio e não peguei nenhum trânsito até chegar em casa.

Vale também dizer que além da Parada Gay estavam acontecendo pelo menos outros dois eventos de grande porte na cidade: Wimbledon e British Summer Time no Hyde Park. O mais antigo e prestigiado torneio de tênis do mundo e um festival no parque mais famoso de Londres com show esgotado de The Killers. E eu não passei perrengue e fui para casa de ônibus, vazio, sem trânsito.

 

Parece conto de fadas, né? Mas não é. Eu ainda fico impressionada de lembrar como tudo funcionou perfeitamente normal naquele dia. Eventos enormes pela cidade, multidões nas ruas e a cidade continuou funcionando. E funcionando com louvor.

Naquele dia eu saí de casa para levantar a bandeira LGBT+ e voltei também orgulhosa da cidade em que eu moro. London Pride².

Beijos,
Ju

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Closer – Perto demais em Londres

Hello Stranger!

Essa é a frase mais marcante e a primeira dita no filme, Closer – Perto Demais. Junto da trilha de “The Blower’s Daughter” do Damien Rice (que você pode ouvir enquanto lê! É só apertar o play aqui embaixo).

O filme com Julia Roberts, Natalie Portman, Jude Law e Clive Owen foi lançado em 2005 e se passa todo em Londres. E a partir daqui, tem spoilers, então se você ainda não viu o filme – assista e depois volta aqui!

Logo no início do filme é possível ver Londres. O que mais me chamou atenção logo de cara é na cena logo no início que a Alice (personagem da Natalie Portman) é atropelada. No chão você vê escrito look right (olhe para a direita). Pra mim isso é muito característico da cidade. Como na maior parte do mundo a mão é contrária, muitas esquinas de Londres tem essas frases no chão para alertar os turistas e estrangeiros recém chegados.

Depois disso dá para ver alguns pontos como a catedral St Paul’s. Daniel (personagem do Jude Law) inclusive cita o domo da catedral em uma brincadeira sobre ele ser o guia dela.

Mas a locação do filme que sempre quis conhecer é mais escondida. É o pequeno parque que eles entram meio que “sem querer”. Já havia visto por aí e esses dias a Thais fez uma stories de lá que me deixou com mais vontade de ir.

O Postman’s Park tem um memorial em homenagem a pessoas comuns que perderam suas vidas salvando a de outras pessoas.

São vários azulejos contando um pouquinho a história dessas pessoas e seus atos heróicos. Dentre eles o da Alice Ayres, nome “escolhido” pela Natalie Portman para sua personagem (se você viu o filme, vai entender). A verdadeira Alice morreu salvando três crianças em um incêndio em 1885.

 

 

Esse cantinho escondido fica perto do Museum of London e da Catedral de St Pauls. Se você viu o filme e tem vontade de conhecer:

Beijos,

Ju


Informações Gerais:

  • O parque funciona de 8h – 19h mas se escurecer antes disso ele fecha. Ou seja, durante o inverno pode apostar em ir bem mais cedo que isso.
  • Endereço: Postman’s Park – St Martin’s Le-Grand – London EC1A
  • O metrô mais próximo é St Pauls
  • Me leva? Eu posso te levar para esse e outros passeios por Londres? Entre em contato comigo!

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Campo de Lavandas em Londres

O dia amanheceu bonito para um passeio. O destino eu já tinha ido antes. Mas a sensação é sempre muito gostosa. Mesmo sem avistar nada ainda o aroma já deixa você esperto: estamos chegando. São mais de 10 hectares de lavandas orgânicas. É impossível não se emocionar.

Lavanda Inglesa – Foto: Bruna Casotti

Quem acompanha pelas redes sociais os brasileiros que vivem em Londres ou alguém que esteve aqui por um pouco mais de tempo nessas últimas semanas tem visto ao se repetir pelo feed: lavandas.

Excursão coletiva para Provence, na França? Não, não! É que existe um campo de lavandas no sul de Londres, o Mayfield Lavander – e além de estar em sua época mais florida, esse campo dá pra ir até de transporte público.

Inclusive essa coisa de que lavanda é uma florzinha francesa é mito! No Mayfield mesmo existem os dois tipos: a francesa (mais pálida e longa) e a inglesa (mais curtinha e com a cor mais viva).

Lavanda Francesa

Além desse existem outras opções pela Inglaterra, mas não são tão simples (nem baratas) – mas estou louca pra ir até a fazenda de Hitchin que além de lavandas promete um campo de girassóis (com certeza meu próximo passeio).

Eu já fui 2x e vou voltar quantas vezes me chamarem pra ir, porque eu sou apaixonada por lá. Mas só é possível fazer esse passeio entre os meses de maio e setembro.

Por isso se você estiver por Londres nessa época, aproveite – mas a #dicadaju é: leve uma fotógrafa com você! Eu fui com a Bruna Casotti e fez toda a diferença ter uma profissional registrando os momentos – e olha que eu nem era o foco do ensaio mas saí de lá com umas fotos lindíssimas! (Valeu, Bru!) Ainda que hoje em dia os celulares tirem ótimas fotos e que existam câmeras acessíveis a todos – tem coisas que só um fotógrafo profissional faz por você. E vamos combinar que se o seu maior motivo para ir até lá não for tirar fotos lindas, você vai mudar de idéia quando chegar.

Foto: Bruna Casotti

Foto: Bruna Casotti

Quando ainda estava por lá, recebi uma mensagem de um amigo do Brasil e respondi com umas fotos. Ele perguntou se eu estava num sonho – com certeza essa é uma boa descrição.

Sem dúvida é um programa alternativo se você está vindo a passeio pra Londres, mas garanto que no meio de tanta informação e história dar uma pausa e fazer um passeio no campo vai renovar suas energias.

Vem comigo?

Beijos,

Ju

 


Informações Gerais:

  • Consulte o site para informações atualizadas.
  • Aberto de maio a setembro entre 9h e 6h
  • O endereço de lá é: 1 Carshalton Road, Banstead, SM7 3JA – Existem algumas rotas para chegar até lá de transporte público. Todas envolvem trem + ônibus. Recomendo que use o Google Maps ou City Mapper para descobrir a melhor rota para você. E esse link para calcular quanto você vai gastar. Em alguns trajetos é possível usar o Oyster Card (mais barato). O ponto onde descer do ônibus é: OAKS PARK.
  • Me leva? Eu posso te levar para esse e outros passeios por Londres? Entre em contato comigo!

 

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Bem-vindo verão!

Sim, eu sei, ainda estamos na primavera e falta mais ou menos um mês pro verão começar oficialmente.
Mas é que a sensação térmica de 28 graus que estou vivendo nesse momento faz uma alegria meio que explodir aqui dentro de mim.

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Sabe aquela fama que brasileiro tem de ser alegre e entusiasmado? E a fama dos ingleses de serem frios e fechados? Bom, definitivamente isso está relacionado com o clima do país.

Não que eu concorde com a máxima que diz que em Londres só chove – eu até desisti de comprar minhas galochas por achar desnecessário. Mas são muitos e muitos dias sem o calor. O sol aparece mas muitas vezes ele não é forte o suficiente pra aquecer.

E o calor, ahhh o calor muda tudo!

As pessoas saem de casa, estão mais dispostas e alegres e até as cores da cidade mudam.

E se você é carioca como eu deve achar que verão é quando faz 40 graus né? Mas aqui o calor começa com 16 graus, temperatura alta o suficiente para que eu volte a andar de bicicleta e pare de usar meias térmicas. Os parques ficam cheios e nós, moradores, mais felizes. Os casacos pesados dão lugar a roupas leves e coloridas – mesmo que não esteja quente suficiente, não tem problema.

Agora em maio os dias já duram mais e as temperaturas aumentaram de verdade.

O dia amanhece por volta de 6h da manhã e só escurecesse lá pelas 21h. Muita gente não gosta, eu confesso que no começo é estranho jantar a luz do dia – mas eu adoro! O clima já está bem mais gostoso com temperaturas entre 23 e 28 graus – o que já me proporcionou ir de biquini pro parque tirar o “mofo”.  Mas tenho plena consciência de que será um longo caminho até o bronze desejado.

O fato é que uma alegria brota dentro da gente, tudo fica mais bonito e mais fácil. Já até vi alguns ingleses sorrindo no metrô.

Agora vocês me dão licença que eu vou curtir meu home office, que tem nova sede no parque do lado de casa.

Um viva para o verão europeu e que o calor permaneça por mais uns meses, porque a gente merece!

Enjoy 🙂

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Ju em Londres

Eu nunca me imaginei morando em Londres. Acho que eu sempre tive um pouco de medo daqui. Cidade grande, que nunca para. O centro do mundo.

Vim pra cá pela primeira vez com a minha mãe. Eu tinha 18 anos. Ela morou aqui por alguns meses, mas isso já tem alguns anos. Eu já tinha morado em Barcelona e Paris. Já tinha visitado outras muitas cidades da Europa. Mas Londres, ah! Londres parecia um filme.

Vi os guardas da Rainha, passeamos pelo Hyde Park, entramos em lojas, fomos no Madame Tussauds, Big Ben, Westminster, Tower Bridge e claro: Abbey Road. E eu, uma apaixonada por Beatles, achei que tinha conhecido a cidade.

Quando voltei novamente pra cá, tudo que eu queria era amor. E foi por amor e com amor que eu me apaixonei por Londres. Fui conhecendo melhor e entendendo como essa cidade é inesgotável. Tudo e todos estão por aqui. Lembro do som dos passos silenciosos no metro na hora do rush (ou Peak Time como dizem por aqui). E do quão lindo era ver como uma cidade só pode abrigar tantas culturas, nacionalidades, ideologias. A senhora de cabelo roxo, o pintor saindo da obra e um executivo engravatado: todos juntos sentados no trem. Aos poucos a cidade que parecia me engolir foi se transformando e virando o que hoje eu chamo de casa.

Nunca vou me esquecer do dia que percebi o quanto eu gostava daqui: era uma manhã de verão – devia estar fazendo menos de 30 graus, eu garanto! Saí andando de Elephant & Castle (South East) até o Soho (ali perto da Oxford Street). Andei todo o Southbank (minha parte preferida da cidade até hoje), parei pra escutar os músicos de rua que se misturavam com as bolhas de sabão na frente do Tate Modern (com vista pra St Paul). Atravessei a Waterloo Brigde, passei por Covent Garden e cheguei ao Soho. Comprei uma case de violão pro meu pai e voltei de metrô me sentindo uma rockstar.

Uma vez minha mãe me disse que Paris pra ela era como estar sempre dentro de um cartão postal – ela morou poucos meses aqui e uns 4 anos lá. Nada contra cartões postais, eu mesma amo enviar e receber. Paris é linda, sem dúvidas. Mas eu sou mais cinematográfica: gosto do movimento. Se Paris é um cartão-postal, Londres é um filme. A cada esquina você pode encontrar a Rainha ou o 007. Londres tem movimento, para alguns, até demais.

Aqui o tempo corre, as pessoas não param. Aqui as estações mudam, o transporte funciona e claro, você está a menos de 2 horas de Paris. E de Amsterdam, de Dublin.. e um pouco mais de Berlin, Barcelona, Roma, Lisboa. Porque não?

O fato é que já sou uma apaixonada pela família Real, sonho em tomar um chá da tarde com a Rainha (de preferencia em Windsor), segurar o baby George no colo e ir em algumas festas do Harry.

Adoro como Londres e a Inglaterra tem tanta história pra contar. E não são só as suas histórias, mas a de cada um que está por aqui. Difícil em Londres é estar num pub apenas com ingleses. As diferentes línguas se misturam e todo mundo se entende. É uma cidade global, onde as histórias, culturas e nacionalidades estão por aí: principalmente nas feirinhas de rua – onde você pode encontrar comida de todos os cantos do mundo.

Londres é uma cidade inesgotável. Por mais tempo que você more aqui – é o que dizem, eu acabei de chegar! – você nunca conhecerá a cidade inteira.

Mas a partir de agora, vou dividir com vocês o dia-a-dia daqui, as novidades, os cantinhos escondidos e claro, também tudo que tiver de mais turístico.

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